Capitulo 2
Ouvi uma voz responder um outro alguém com certa arrogância:
- Se ele for do seu time eu mato, já basta aturar você, katrina.
E outra voz, feminina, o respondeu desafiadora:
- Então por que não me mata?- Se seguiu um silêncio e a voz continuou - Sou gostosa de mais para morrer!
- Você peca contra seu castigo sem nem pensar nas conseqüências. Você vai para o inferno, sem sombra de dúvidas.
- Isso já foi decidido quando eu estava no berço.
Abri os olhos devagar e vi, meio sem foco, uma imagem de duas pessoas abaixadas olhando para o meu rosto. Uma mulher de pele morena, cabelos lisos e negros, com algumas mechas roxas. E um cara branco, com cabelo castanho e espetado para frente, e ambos pareciam ter entre 17 ou 15 anos. Com a boca seca eu disse confuso:
-Hã...?
Levantei-me bruscamente quase caindo para trás e as duas pessoas olharam para mim sem graça:
-Boa tarde.
Disse o cara se levantando, seguido da mulher que me cumprimentou:
- Oi, meu nome é Katrina, sou de Lúcifer, ele é Trent, é de deus. E você?
O que ela queria dizer com “Sou de Lúcifer”? Será que ela satânica ou algo assim? Trent percebeu que eu estava confuso e explicou:
- Estava tudo bem, com anjos no céu e os homens na Terra, mas um dia um anjo chamado Lúcifer traiu Deus e foi expulso do céu e desceu para criar seu próprio paraíso...
- O inferno?
- Shiiiii! Deixa eu continuar! Bom, Deus tinha muitos seguidores pelo mundo, então lúcifer, cheio de inveja, decidiu interferir em nosso livre arbítrio enviando um demônio pára “tocar” uma criança enquanto ainda estava no útero da mãe, e essa criança seria a sua própria reencarnação na Terra. Eu nunca a vi, mas ouvi dizer que ele tem a íris vermelha, da cor do próprio sangue. Desde então Deus também tem enviado anjos para deixar sua marca em alguns de nós, e assim começou uma guerra entre seguidores.
Fiquei um tempo pensando e disse a única frase que pude formular no momento:
- Tem água?
Entramos na lanchonete que Katrina disse que era da irmã dela. Me sentei em uma cadeira e Trent colocou um copo de água na mesa a minha frente e se sentou também. Bebi tudo de uma vez só, respirei fundo e disse para Trent:
- Olha, meu nome é James e eu não deveria estar aqui, ta bom? É que meu avião passou por uma turbulência e teve que parar nessa cidade a qualquer momento eles vão me ligar, então eu vou sair dessa cidade e parar de ouvir suas bobagens.
No momento em que parei de falar Trent se levantou bruscamente e se jogou para frente, ficando de bruço na mesa. Fechou sua mão direita, ai eu percebi que em todas suas churréias haviam cruzes tatuadas, as quais saíram de sua mão e se tornaram maiores, mas eram feitas de pura luz. Trent aproximou o seu rosto do meu e disse com ar insano:
- Isso é uma bobagem?!
Katrina olhou para nós do caixa e disse mexendo no dinheiro:
-Ih, ele ficou puto.
As cruzes de luz voltaram a ser tatuagens pretas e Trent se sentou novamente, mas de olhos fechados e estalando os dedos, tentando se acalmar:
- Foi mal.
- What the...!
Olhei para Katrina e ela me explicou:
- É isso que os “toques” fazem.
- Você também...?
- Não desse jeito. – Ela se aproximou de nós - Então seu nome é James, não é? – Assenti ainda meio assustado, querendo saber o que ela faria. – É isso que eu faço.
Ela fechou o olho direito com uma das mãos, piscou com o olho esquerdo e sua íris e sua pupila rapidamente tomaram a forma de uma cruz anticristo, então ela disse:
-“O que é isso?”. Era o que iria dizer, certo?- Fiquei surpreso, pois ela estava certa - “Você pode ler minha mente?”. - Ela deu uma risadinha rápida e continuou – Eu posso ver alguns segundos no futuro. “Nice!”. Não precisa falar. - Ela abriu o olho direito e seu outro olho rapidamente voltou ao normal.
Trent olhou o relógio em seu pulso e disse:
- 9:30, tenho que ir para a igreja.
- A essa hora?
- Deveres de coroinha - Disse Katrina debochando.
...
Eu e Katrina nos sentamos na varanda em algum lugar depois da escada, ela colocou óculos escuros disse:
- Olhar para o Pôr-do-sol não é tão legal quanto nos filmes.
Fiquei pensando na historia que Trent contou e na forma que suas tatuagens saíram de sua pele e se tornaram cruzes feitas de luz. Ele ficou bem estressado quando eu disso que aquilo era bobagem. Antes que pudesse perguntar, Katrina me respondeu:
- É por que ele se estressa com qualquer coisa.
- Você consegue prever tudo?
- Na verdade, só alguns segundos e isso me deixa muito cansada, então eu tenho tipo um limite do que eu posso prever.
Observei a tatuagem que meu pai tinha feito em mim e comecei a duvidar que ele realmente tinha feito isso, quando perguntava para minha mãe sobre isso ela sempre mudava de assunto. Olhei para Katrina e perguntei:
- Como você descobriu? – Ela me olhou e continuei – Os “poderes”?
- Eu não lembro direito, não fico pensando muito nisso.
- E o que você acha que isso faz?
Mostrei a minha marca, que eu nem sabia mais do que chamar.
- Cada um faz uma coisa diferente, mas eu estou mais curiosa para saber de que lado você é.
Observei por uns instantes os seus olhos castanhos e tornei a observar o sol dizendo:
- Eu também.
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